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A SUPERAÇÃO QUE LEVA AO TOPO DO MUNDO

Hoje o Blog 4FitClub traz uma entrevista com Talisson Glock, paratleta de natação, uma das promessas do Brasil para as Paraolimpíadas do Rio em 2016. Talisson, hoje com 19 anos, iniciou no esporte aos 10 anos e não parou mais. Vice campeão mundial, recordista das Américas nos 100 metros costas e nos 400 metros livres, líder do ranking mundial nestas duas provas na categoria S6 e dezenas de títulos nacionais são algumas das conquistas do paratleta.
Acompanhe como foi o acidente que fez com que tivesse uma amputação do braço e da perna esquerda, o que fez para superar o trauma e quais são seus objetivos, metas e sonhos. Uma incrível história de superação e determinação quando se fala em conquistar um grande objetivo.
1- Conte nos como foi seu acidente.

Sofri acidente aos 9 anos de idade, mas não lembro como aconteceu. O que eu sei do acidente é o que minha mãe conta. Estava indo para o curso de computação e havia uma linha do trem próxima à escola. Na saída do curso, um amigo me viu embaixo do trem e foi correndo para minha casa chamar minha mãe. Quando minha mãe chegou, eu ainda estava embaixo do trem. Contaram que oito vagões passaram sobre mim, que eu não desmaiei em nenhum momento e que chamava minha mãe o tempo todo. Minha mãe foi tão rápida que foi de carro para o hospital e chegou antes de mim, que fui de helicóptero (risos).É tudo que sei sobre o acidente. O maquinista diz que eu passei na frente como se tivesse caído na linha.

2- Como foi o processo de mudança e adaptação após o acidente

A minha recuperação foi bem rápida. Fiquei 23 dias no hospital e logo fui para casa. Após 6 meses eu já estava na natação e fazendo muita fisioterapia para aliviar a sensação fantasma no membro perdido. Com 6 meses o CEPE (Centro Esportivo para Pessoas Especiais) de Joinville me chamou para nadar por lazer, para brincar. Minha mãe tinha muito medo de eu ficar em casa sem fazer nada, querer ser um inválido.

3- De onde você tirou forças para continuar lutando? Teve algum acompanhamento psicológico?

Nunca tive acompanhamento psicológico. Não sei te dizer muito bem isso, mas minha cabeça sempre foi muito boa em relação ao acidente. Nunca chorei, nunca fiquei triste, nunca deixei de fazer nada por conta da deficiência. Quando saí do hospital, o médico me disse que precisaria tomar remédio para dor fantasma durante três anos. Um dia quando minha mãe chegou do trabalho eu tinha jogado tudo fora e nunca tive dor fantasma. Por não deixar de fazer as coisas, acho que encarei tudo de uma maneira mais fácil.

4- Como é ser hoje o detentor de duas melhores marcas do mundo em sua categoria?

Acho que estou no caminho para as coisas que busco. Gosto muito da natação, gosto muito do que eu faço e você fazer o que você gosta é extremamente importante. Fazer bem aquilo que você gosta é melhor ainda. Então, fico muito feliz em ter conseguido essas marcas e depois de tudo que treinamos, ter a melhor marca do mundo todo esforço vale a pena.

5- Sabemos que a rotina de treinamento de alto nível é intensa. Fale um pouco sobre sua rotina de treinos, alimentação, descanso…

Atualmente eu tenho acompanhamento nutricional, psicológico, fisioterapêutico. Os treinos são muitos fortes, pois treinamos de segunda a sábado, duas vezes ao dia. Ainda temos academia, crossfit e Pilates em nossa rotina. Não dá tempo de fazer muita coisa. É comer, dormir e descansar. Aos domingos temos folga, mas geralmente estamos tão cansados que tiramos o dia pra descansar.

6- Deixe uma mensagem para os seus fãs e leitores do nosso blog.

Quando você passa por uma situação dessas, o mais importante é você ter a família ao seu lado. Ter as pessoas que mais te amam próximas deixa tudo mais fácil. Tenho minhas adversidades com minha mãe, com meu pai, mas, graças a Deus, minha mãe sempre me apoiou em tudo que fiz. Há pais que deixam os filhos com deficiência em casa sem fazer nada. A mãe deixa o filho em casa porque tem um certo preconceito, mas por falta de informação e conhecimento. As pessoas acham que perder uma perna, um braço é o fim do mundo, mas não é. A vida não acabou. Nossa vida todo dia é um recomeço.

PINGUE PONGUE COM TALISSON GLOCK
Uma comida: Hambúrguer
Uma Música: Reza Vela – O Rappa
Um Lugar: Praia
Um Hobby: Carros
Uma conquista: Ser o líder do ranking mundial nos 100m costas
Um sonho: Quebrar o recorde mundial nas olimpíadas do Rio em 2016.

 

Sigam o Instagram @talisson_glock para acompanhar a vida do nadador!

 

Grande abraco!

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Everton Araújo

Everton Araújo é Fisioterapeuta e Treinador Funcional da Seleção Brasileira de Natação Paraolímpica. Trabalha com Pilates e Reprogramação Biológica. Ex atleta de natação, amante de todos os esportes, adora exercícios ao ar livre em parques e praças. Curte cozinhar, toca violão nas horas vagas, aprecia uma boa leitura e preza muito pelos relacionamentos. Ouve todos os tipos de música e curte uma boa leitura. Vai agregar ao time trazendo dicas e maneiras de melhorar a qualidade de vida.

5 comentários em “A SUPERAÇÃO QUE LEVA AO TOPO DO MUNDO”

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